O artigo discute o papel da Educação do Campo como ferramenta de inclusão social para comunidades ribeirinhas, com foco na comunidade de Mapiraí de Baixo. A pesquisa ressalta como essa modalidade educacional respeita e valoriza os saberes locais, contribuindo para a formação crítica e cidadã dos alunos, promovendo o pertencimento social e combatendo as desigualdades. Destaca-se que a Educação do Campo, construída a partir das lutas dos movimentos sociais, busca formar professores comprometidos com suas comunidades e realidades territoriais, indo além da docência tradicional e enfrentando os impactos de projetos desenvolvimentistas na Amazônia, como a Usina de Tucuruí e a Hidrovia Araguaia-Tocantins. O estudo teve como sujeitos três ribeirinhos formados em Educação do Campo, residentes em Mapiraí de Baixo, interior de Cametá. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas na própria comunidade, em locais escolhidos pelos entrevistados, como suas casas ou ambientes de trabalho, como o rio ou a mata. Os participantes optaram por manter o anonimato, mas colaboraram com a pesquisa por reconhecerem sua relevância. A metodologia adotada foi a Análise do Discurso (AD), que permite interpretar não apenas do que é dito, mas também os sentidos produzidos nas entrelinhas e no contexto sociocultural dos sujeitos. O texto apresenta a análise de três recortes discursivos de entrevistas com egressos do curso de Licenciatura em Educação do Campo, com o objetivo de compreender os sentidos atribuídos por eles à formação recebida. Assim, os discursos dos três sujeitos evidenciam que a Educação do Campo não apenas promove o acesso à universidade, mas também fomenta consciência crítica, valorização das identidades e fortalecimento das comunidades ribeirinhas.
The article discusses the role of Rural Education as a tool for social inclusion in riverside communities, focusing on the community of Mapiraí de Baixo. The research highlights how this educational modality respects and values local knowledge, contributing to the critical and civic formation of students, promoting social belonging, and addressing inequalities. It emphasizes that Rural Education, built upon the struggles of social movements, seeks to train teachers committed to their communities and territorial realities, going beyond traditional teaching and confronting the impacts of development projects in the Amazon, such as the Tucuruí Hydroelectric Plant and the Araguaia-Tocantins Waterway. The study’s participants were three riverside dwellers who graduated in Rural Education and currently live in Mapiraí de Baixo, in the interior of Cametá. Data were collected through semi-structured interviews conducted within the community itself, in locations chosen by the interviewees, such as their homes or work environments, including the river or the forest. The participants chose to remain anonymous but collaborated with the research due to their recognition of its relevance. The methodology used was Discourse Analysis (DA), which allows for the interpretation not only of what is said but also of the meanings produced in the subtext and within the subjects’ sociocultural contexts. The text presents an analysis of three discourse excerpts from interviews with graduates of the Rural Education degree program, aiming to understand the meanings they attribute to the education they received. Thus, the statements of the three participants demonstrate that Rural Education not only promotes access to higher education but also fosters critical awareness, identity appreciation, and the strengthening of riverside communities.
Este artículo analiza el papel de la educación rural como herramienta de inclusión social en las comunidades ribereñas, centrándose en la comunidad de Mapiraí de Baixo. La investigación destaca cómo este tipo de educación respeta y valora el conocimiento local, contribuyendo a la formación crítica y cívica de los alumnos, promoviendo la pertenencia social y combatiendo las desigualdades. Destaca que la educación rural, construida a partir de las luchas de los movimientos sociales, busca formar profesores comprometidos con sus comunidades y realidades territoriales, yendo más allá de la enseñanza tradicional y enfrentando los impactos de los proyectos de desarrollo en la Amazonia, como la Usina Tucuruí y la Hidrovía Araguaia-Tocantins. Los sujetos del estudio fueron tres ribereños formados en educación rural, residentes en Mapiraí de Baixo, en el interior de Cametá. Los datos se recogieron mediante entrevistas semiestructuradas realizadas en la propia comunidad, en lugares elegidos por los entrevistados, como sus casas o entornos de trabajo, como el río o el bosque. Los participantes optaron por el anonimato, pero colaboraron con la investigación porque reconocieron su relevancia. La metodología adoptada fue el Análisis del Discurso (AD), que permite interpretar no sólo lo que se dice, sino también los significados producidos entre líneas y en el contexto sociocultural de los sujetos. El texto analiza tres recortes discursivos de entrevistas realizadas a graduados del curso de Licenciatura en Educación Rural, con el objetivo de comprender los significados atribuidos por ellos a la formación recibida. Así, los discursos de los tres sujetos muestran que la Educación Rural no sólo promueve el acceso a la universidad, sino que también fomenta la conciencia crítica, la valorización de las identidades y el fortalecimiento de las comunidades ribereñas.