Este artigo analisa criticamente o papel da escola na articulação entre indivíduo, sociedade e território, com ênfase nos mecanismos de reprodução das desigualdades sociais. Parte-se da compreensão de que a escola constitui um microcosmo inserido em uma totalidade histórica mais ampla, marcada pela lógica capitalista e pela difusão de discursos que naturalizam diferenças individuais. O texto discute a centralidade do ideário neoliberal, especialmente no que se refere à valorização do individualismo, da competição e da meritocracia, bem como suas implicações na legitimação do fracasso escolar. Argumenta-se que tanto abordagens biologizantes quanto teorias como a da carência cultural contribuem para a individualização das desigualdades. A partir de referenciais da sociologia da educação e da geografia crítica, propõe-se compreender a escola como uma mediação territorial das desigualdades. Por fim, ressalta-se o papel do professor como mediador crítico, capaz de problematizar o senso comum e promover práticas pedagógicas voltadas à emancipação dos sujeitos.