Este ensaio teórico investiga as ideologias linguísticas das línguas de sinais, analisando como os fenômenos comunicacionais dos coletivos surdos sinalizantes são compreendidos e moldados ideologicamente. Com abordagem qualitativa e teórica, este ensaio objetiva situar as ideologias linguísticas como um objeto nos campos interdisciplinares da linguagem, destacando sua relevância epistemológica, ontológica e política nos Estudos e Políticas Surdas. Para isso, propõe-se uma distinção entre ideologias linguísticas externas e internas às comunidades surdas. As externas envolvem mitos sobre línguas de sinais, transformações nas percepções sobre gestos e sinais e a primazia das línguas orais como política educacional. As internas abordam multimodalidade e gestualidade verbal, nomeação das línguas de sinais nacionais, apagamento de variedades linguísticas e processos de policiamento, padronização e purismo. Esses aspectos impactam a educação bilíngue, as experiências surdas e as concepções sobre as línguas de sinais. Conclui-se que a distinção proposta é útil, mas limitada, sendo necessária uma investigação crítica contínua, especialmente conduzida por e com teóricos surdos.
This theoretical essay investigates the linguistic ideologies of sign languages, analyzing how the communicational phenomena of signing deaf communities are ideologically understood and shaped. With a qualitative and theoretical approach, the essay aims to position linguistic ideologies as a subject within the interdisciplinary fields of language studies, highlighting their epistemological, ontological, and political relevance in Deaf Studies and Deaf Politics. To this end, it proposes a distinction between external and internal linguistic ideologies within deaf communities. External ideologies involve myths about sign languages, shifts in the perception of gestures and signs, and the primacy of oral languages as an educational policy. Internal ideologies address multimodality and verbal gesturality, the naming of national sign languages, the erasure of linguistic varieties, and processes of policing, standardization, and purism. These aspects affect bilingual education, deaf experiences, and conceptions of sign languages. The essay concludes that while the proposed distinction is useful, it is also limited, calling for a continuous critical review, especially one led by deaf theorists.