A Música Popular Brasileira (MPB) ocupa papel central como meio de reflexão crítica e instrumento de resistência, abordando temas como desigualdade social, racismo estrutural e afirmação da identidade negra. Ao longo da história, a música tem funcionado como uma linguagem de denúncia e também como ferramenta de valorização cultural, consolidando-se como um espaço de pertencimento coletivo. Este estudo analisa quatro canções que exemplificam diferentes dimensões dessa contribuição: “Diga Não”, de Bia Ferreira, e “Testando”, de Ellen Oléria, que evidenciam o genocídio da juventude negra, a violência policial e a vulnerabilidade das mulheres negras; e “Linda e Preta”, de Nara Couto, e “Menina Pretinha”, de MC Soffia, que reforçam o empoderamento, a autoestima e a valorização da ancestralidade africana. A análise das letras evidencia que, por meio da arte, artistas constroem narrativas que ampliam a visibilidade das experiências negras no Brasil, unindo denúncia e afirmação positiva. Dessa forma, a música assume um papel pedagógico, cultural e político, contribuindo não apenas para ressignificar dores históricas, mas também para fortalecer identidades e inspirar novas gerações. As canções selecionadas demonstram que a MPB e o rap se articulam como instrumentos de resistência e transformação, ao mesmo tempo em que reafirmam a dignidade, a cultura e a memória negra. Nesse sentido, o estudo reforça a importância da produção musical como um caminho fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, plural e inclusiva, em que a arte se torna ponte entre crítica social e afirmação da negritude.