Este artigo investiga como a criação de materiais didáticos multimodais pode contribuir para a valorização de saberes indígenas e afro-brasileiros no ensino fundamental, articulando os aportes dos multiletramentos (Grupo de Nova Londres, 2000; Rojo, 2012) e da perspectiva decolonial (Mignolo, 2017; Walsh, 2010). Partindo da análise qualitativa de um estudo de caso envolvendo licenciandos em formação docente, discute-se de que modo tais materiais, ao integraremmúltiplas linguagens e epistemologias, tensionam a lógica eurocêntrica do currículo escolar. Os resultados evidenciam que a produção multimodal, ao deslocar estereótipos cristalizados em representações culturais e didáticas, como aquelas simbolizadas pelos personagens Jeremias e Papa-Capim, instaura práticas pedagógicas insurgentes, comprometidas com a justiça cognitiva e a reconstrução de uma escola plural. Nesse horizonte, a elaboração de materiais didáticos multimodais não se configura apenas como recurso pedagógico, mas como gesto político de resistência e reexistência, capaz de enfrentar o epistemicídio e promover horizontes educativos mais inclusivos e decoloniais.
This article investigates how the creation of multimodal teaching materials can contribute to the valorization of Indigenous and Afro-Brazilian knowledges in elementary education, drawing on the frameworks of multiliteracies (New London Group, 2000; Rojo, 2012) and decolonial perspectives (Mignolo, 2017; Walsh, 2010). Based on a qualitative case study involving pre-service teachers, the analysis discusses how such materials, by integrating multiple languages and epistemologies, challenge the Eurocentric logic of school curricula. The findings reveal that multimodal production, by displacing stereotypes crystallized in cultural and educational representations, such as those symbolized by the characters Jeremias and Papa-Capim, establishes insurgent pedagogical practices committed to cognitive justice and the reconstruction of a plural school. In this sense, the development of multimodal teaching materials is not merely a pedagogical resource, but a political act of resistance and re-existence, capable of confronting epistemicide and fostering more inclusive and decolonial educational horizons.
Este artículo investiga cómo la creación de materiales didácticos multimodales puede contribuir a la valorización de saberes indígenas y afrobrasileños en la educación básica, articulando los aportes de los multialfabetismos (Grupo de Nueva Londres, 2000; Rojo, 2012) y la perspectiva decolonial (Mignolo, 2017; Walsh, 2010). A partir del análisis cualitativo de un estudio de caso con estudiantes de licenciatura en formación docente, se discute cómo dichos materiales, al integrar múltiples lenguajes y epistemologías, tensionan la lógica eurocéntrica del currículo escolar. Los resultados evidencian que la producción multimodal, al desplazar estereotipos cristalizados en representaciones culturales y didácticas, como las simbolizadas por los personajes Jeremías y Papa-Capim, instaura prácticas pedagógicas insurgentes, comprometidas con la justicia cognitiva y la reconstrucción de una escuela plural. En este horizonte, la elaboración de materiales didácticos multimodales no se configura solo como recurso pedagógico, sino como gesto político de resistencia y reexistencia, capaz de enfrentar el epistemicidio y promover horizontes educativos más inclusivos y decoloniales.