Os fantasmas contra-atacam: docência-espectral nas políticas curriculares no Brasil

Série-Estudos

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ISSN: 2318-1982
Editor Chefe: José Licínio Backes
Início Publicação: 12/06/1994
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Ciências Humanas

Os fantasmas contra-atacam: docência-espectral nas políticas curriculares no Brasil

Ano: 2025 | Volume: 30 | Número: 70
Autores: A. P. P. M. de Carvalho, C. S. F. de Barros
Autor Correspondente: Ana Paula Pereira Marques de Carvalho | [email protected]

Palavras-chave: espectros; políticas curriculares; formação docente

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Inspirado no filme Os Fantasmas Contra-Atacam, este trabalho recorre às ideias de Jacques Derrida e Judith Butler sobre espectros para problematizar a docência como presença ausente que habita, é assombrada e também assombra as políticas curriculares contemporâneas em nosso país. Sob registros pós-estruturais, a proposta é tensionar discursos de eficiência, responsabilidade e comprometimento que contribuem para modos de ser professor e buscam fabricar subjetividades orientadas por padrões de desempenho e controle. Políticas como o Projeto Trilhas, do Instituto Natura, e o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), cuja formação tem sido encaminhada em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, tentam fixar sentidos para um “professor ideal” que figuram como padrões normativos e prometem redenção por meio da padronização e da adesão a normas de desempenho. Sob o signo da cooperação e do regime de colaboração, essas políticas buscam operar na normatização de práticas, instaurando formas sutis de sujeição, mesmo com a possibilidade de contra-ataque dos que são assombrados. Assim, propõe-se compreender a docência como um campo figura espectral, marcado pela performatividade assombrada pelas normas, mas que, ao mesmo tempo, é performada por rastros, retornos e reinscrições de sentidos sobre o ser e fazer docentes.



Resumo Inglês:

Inspired by the film The Ghosts Strike Back, this work draws on Jacques Derrida and Judith Butler’s ideas about specters to problematize teaching as an absent presence that inhabits, is haunted by, and also haunts contemporary curricular policies in our country. Using poststructural approaches, the proposal is to challenge discourses of efficiency, responsibility, and commitment that contribute to ways of being a teacher and seek to fabricate subjectivities guided by standards of performance and control. Policies such as the Instituto Natura’s Trilhas Project and the National Literate Child Commitment (CNCA), whose development has been implemented in partnership with the Getúlio Vargas Foundation, attempt to establish meanings for an “ideal teacher” that appear as normative standards and promise redemption through standardization and adherence to performance norms. Under the banner of cooperation and collaboration, these policies seek to normalize practices, establishing subtle forms of subjection, even with the possibility of counterattack from those haunted. Thus, we propose to understand teaching as a spectral figure field, marked by performativity haunted by norms, but which, at the same time, is performed by traces, returns and reinscriptions of meanings about being and doing as teachers.



Resumo Espanhol:

Inspirada en la película Los Fantasmas Contraatacan, esta obra se inspira en las ideas de Jacques Derrida y Judith Butler sobre los espectros para problematizar la docencia como una presencia ausente que habita, es acechada y también acecha las políticas curriculares contemporáneas en nuestro país. Mediante enfoques postestructurales, la propuesta es cuestionar los discursos de eficiencia, responsabilidad y compromiso que contribuyen a las formas de ser docente y buscan fabricar subjetividades guiadas por estándares de desempeño y control. Políticas como el Proyecto Trilhas del Instituto Natura y el Compromiso Nacional del Niño Alfabetizado (CNCA), cuyo desarrollo se ha implementado en colaboración con la Fundación Getúlio Vargas, buscan establecer significados para un “docente ideal” que se presentan como estándares normativos y prometen redención mediante la estandarización y la adhesión a las normas de desempeño. Bajo el lema de la cooperación y la colaboración, estas políticas buscan normalizar las prácticas, estableciendo formas sutiles de sujeción, incluso con la posibilidad de contraataque por parte de quienes son acechados. Así, proponemos entender la enseñanza como un campo de figuras espectrales, marcado por una performatividad acosada por normas, pero que, al mismo tiempo, es performada por rastros, retornos y reinscripciones de sentidos acerca del ser y el hacer docente.