Este artigo analisa a escrita decolonial de Cidinha da Silva na obra Os nove pentes d’África (2009), investigando de que maneira a autora reconfigura a experiência afro-brasileira por meio de uma poética da ancestralidade e da resistência. Parte-se da problemática de compreender como a narrativa tensiona a hegemonia eurocentrada e patriarcal que historicamente estruturou o campo literário brasileiro, promovendo deslocamentos simbólicos e instaurando novas formas de representação. O estudo mobiliza referenciais do pensamento decolonial, das teorias da identidade cultural e das cosmopercepções afro-diaspóricas para evidenciar como a obra articula memória, oralidade, religiosidade e performatividade como dispositivos de reexistência. Argumenta-se que a escrita de Cidinha da Silva opera como gesto contracolonial, produzindo um efeito de “aquilombamento” estético que reinscreve sujeitos negros no centro da cena narrativa e reafirma a literatura como espaço de disputa epistemológica.