Analisamos o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente
(SGDCA) em São Paulo, em contexto de pandemia de Covid-19, a partir de expressões
da judicialização de vidas e da judicialização por acesso a direitos sociais. Através de
pesquisa realizada em um Foro Regional na zona leste paulistana, foram examinadas
vivências de cinco sujeitos sociais atendidos durante a pandemia, com entrevistas
e análise documental de processos. O estudo dialoga com autores como Barros (2018),
Eurico (2019), Fávero (2013), Loiola (2022) e Melo (2023), discutindo a atuação do Estado
e do Judiciário frente à desigualdade e às vulnerabilidades. Os resultados revelam que,
em contextos periféricos, famílias pobres seguem sendo alvo de práticas moralizantes e
punitivas, marcadas por desigualdades de classe, gênero e raça, resultando em rupturas
e perdas familiares. Conclui-se pela necessidade de fortalecimento das políticas públicas
e da proteção social como estratégias de prevenção à judicialização de vidas.