Saúde mental comunitária em território tradicional pesqueiro

Revista Brasileira de Educação do Campo

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ISSN: 25254863
Editor Chefe: Gustavo Cunha de Araujo
Início Publicação: 31/07/2016
Periodicidade: Anual
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Educação, Área de Estudo: Linguística, Letras e Artes, Área de Estudo: Multidisciplinar

Saúde mental comunitária em território tradicional pesqueiro

Ano: 2026 | Volume: 10 | Número: Não se aplica
Autores: A. V. Félix-Silva
Autor Correspondente: A. V. Félix-Silva | [email protected]

Palavras-chave: cartografias, saúde mental, ancestralidade, marisqueiras, pescadoras artesanais.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Nos contextos transtornados pelo colonialismo capitalístico, o reconhecimento jurídico-político dos povos originários e tradicionais pesqueiros como sujeitos de direito não lhes garante pleno acesso aos serviços de saúde mental de base territorial. Mapear processos de subjetivação e enunciação de cuidados à saúde mental de base tradicional comunitária é o principal objetivo desta cartografia. O uso deste método e modo de fazer pesquisa-intervenção e a composição de oficinas cartográficas de saúde mental comunitária mostram como as marisqueiras e pescadoras artesanais traçam linhas de cuidados e de mapas que compõem as cartografias do corpo-território-das-águas. A discussão sobre a determinação socioambiental da saúde mental envolve as ecologias ambiental, social, subjetiva e espiritual e a problematização do terricídio como parte da rede de elementos que compõem o colonialismo capitalístico como um dispositivo. As implicações psicossociais giram em torno das afecções do corpo: luto, angústia, assédio, raiva, medo, ansiedade e depressão. As implicações coexistem com marcadores de ancestralidade: arte afropindorâmica, amizade e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários; cuidado de si, cuidado de parentes e comunitários, de sistemas costeiro marinho e encantados das águas e das matas.



Resumo Inglês:

In contexts disrupted by capitalist colonialism, the legal and political recognition of Indigenous and traditional fishing communities as rights-bearing subjects does not ensure full access to community-based mental health services. This cartographic study aims to map the processes of subjectivation and enunciation of community-based traditional mental health care. The use of this research-intervention approach, together with community mental health cartographic workshops, shows how shellfish gatherers and artisanal fisherwomen trace lines of care and produce maps that form the cartographies of the body–territory–waters. The discussion of the socio-environmental determination of mental health encompasses environmental, social, subjective, and spiritual ecologies, as well as a critical examination of terricide as part of the network of elements that constitute capitalist colonialism as a Device. Psychosocial implications manifest as bodily afflictions, including grief, anguish, harassment, anger, fear, anxiety, and depression. These implications coexist with markers of ancestry, such as Afro-Indigenous artistic practices, friendship, and the strengthening of family and community ties; self-care, care for relatives and community members, and care for coastal and marine ecosystems, as well as for the enchanted beings of the waters and forests.



Resumo Espanhol:

En contextos trastornados por el colonialismo capitalístico, el reconocimiento legal y político de las comunidades indígenas y pesqueras tradicionales como sujetos de derecho no les garantiza el pleno acceso a los servicios de salud mental comunitarios. Este estudio cartográfico tiene como objetivo mapear los procesos de subjetivación y enunciación de la atención tradicional de salud mental basada en la comunidad. El uso de este enfoque, junto con talleres comunitarios de salud mental, muestra cómo las recolectoras de mariscos y las pescadoras artesanales trazan líneas de atención y producen mapas que conforman las cartografías del cuerpo-territorio-aguas. El debate sobre los determinantes socioambientales de la salud mental abarca ecologías ambientales, sociales, subjetivas y espirituales, y la problematización del terricidio como parte de la red de elementos que conforman el dispositivo: colonialismo capitalístico. Las implicaciones psicosociales giran en torno a las afectaciones: duelo, angustia, acoso, enojo, miedo, ansiedad y depresión. Estas coexisten con marcadores de ascendencia: el arte afrobrasileño, la amistad y el fortalecimiento de los lazos familiares y comunitarios; el autocuidado, el cuidado de los parientes y los miembros de la comunidad, y el cuidado de los ecosistemas costeros y marinos y de los seres encantados de las aguas y los bosques.