O objetivo deste estudo é investigar as posições sociais dos personagens em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, a fim de identificar a estrutura e as diferenças dentro das estruturas sociais brasileiras de meados do século XIX. Esta pesquisa baseia-se na ideia de que a literatura pode servir como uma fonte singular para a história, uma vez que pode apresentar o que é documentado como a história dos "vencedores", ao mesmo tempo que retrata a realidade dos "perdedores". Assim, personagens como Brás Cubas, Virgília, Lobo Neves e Dona Plácida ocupam seu lugar individual dentro do contexto de suas respectivas classes sociais e apresentam diferentes níveis de ações e consequências, o que evidencia a tensão entre a classe alta e a classe média emergente. Dessa forma, a obra exemplifica a hipocrisia, o egoísmo e a falta de integridade moral que as classes dominantes sustentam. Portanto, pode ser utilizada para analisar a clareza com que esse sistema de valores se manifestava no Brasil durante o período dos impérios. Os teóricos utilizados neste estudo para fundamentar a análise foram Roberto Schwarz, Raymundo Faoro, Sevcenko, Alfredo Bosi e Sérgio Buarque de Holanda, que abordaram as conexões entre literatura, história e estrutura social.