O artigo apresenta uma experiência pedagógica desenvolvida em um berçário da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, tendo como foco o acolhimento sensível e intencional de uma criança migrante boliviana recém-chegada ao grupo. A proposta parte da utilização do Aguayo tecido tradicional dos Andes como elemento cultural e simbólico capaz de favorecer vínculos afetivos, promover o sentimento de pertencimento e valorizar a identidade da criança e de sua família. A ação é analisada à luz da Teoria Histórico-Cultural, especialmente no que se refere à centralidade das relações sociais na constituição do sujeito, articulando autores que discutem infância, cultura e práticas pedagógicas, como Bell Hooks, Loris Malaguzzi, Adriana Friedmann e Paulo Fochi. Além disso, dialoga com as contribuições de Nilma Lino Gomes, Vera Candau e Kabengele Munanga para compreender a interculturalidade e o enfrentamento das desigualdades produzidas por processos históricos de exclusão. O texto destaca como pequenos gestos pedagógicos — como o reconhecimento da cultura de origem da criança e a inclusão de objetos significativos do seu repertório familiar podem transformar o cotidiano educativo, ampliando as possibilidades de comunicação, afeto e participação. A experiência reforça que a Educação Infantil deve assumir o compromisso ético de respeitar e potencializar as múltiplas infâncias presentes no território, em consonância com o Currículo da Cidade e com as diretrizes da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Dessa forma, evidencia-se que práticas interculturais, quando incorporadas ao cotidiano do berçário, contribuem para a construção de ambientes mais acolhedores, democráticos e humanizadores, capazes de legitimar identidades e fortalecer trajetórias educativas desde os primeiros anos de vida.