O discurso que apresenta as tecnologias digitais como solução universal para os desafios educacionais oculta desigualdades profundas, sobretudo em contextos periféricos. Essa crítica dialoga com a filosofia da tecnologia de Andrew Feenberg e sua teoria crítica, que denuncia exclusões mascaradas por narrativas de neutralidade técnica. O artigo analisa os efeitos da digitalização curricular em um recorte de pesquisa de mestrado realizada em uma escola pública da periferia de Manaus, evidenciando tensões entre as promessas das políticas de inovação tecnológica e as realidades materiais, sociais e culturais do território. A investigação, conduzida por uma abordagem cartográfica inspirada em Deleuze e Guattari, mapeou práticas, discursos e resistências docentes nas dobras do cotidiano escolar. Conclui-se pela urgência de currículos sensíveis ao território, às condições concretas e às potências criadoras locais, capazes de resistir à homogeneização técnica e afirmar a multiplicidade dos modos de ensinar e aprender.
The discourse that presents digital technologies as a universal solution to educational challenges often conceals deep inequalities, especially in peripheral contexts. This critique aligns with Andrew Feenberg’s philosophy of technology and his critical theory, which exposes exclusions masked by narratives of technical neutrality. This article analyzes the effects of curricular digitalization based on a master’s research conducted in a public school on the outskirts of Manaus, highlighting tensions between the promises of technological innovation policies and the material, social, and cultural realities of the territory. The investigation, guided by a cartographic approach inspired by Deleuze and Guattari, mapped teaching practices, discourses, and resistances within the folds of everyday school life. The study concludes with the urgency of developing curricula that are sensitive to the territory, to concrete conditions, and to local creative potentials, capable of resisting technical homogenization and affirming the multiplicity of ways of teaching and learning.
El discurso que presenta las tecnologías digitales como solución universal a los desafíos educativos tiende a ocultar desigualdades profundas, particularmente en contextos periféricos. Tal crítica dialoga con la filosofía de la tecnología de Andrew Feenberg y su teoría crítica, la cual denuncia las exclusiones encubiertas bajo narrativas de neutralidad técnica. El artículo examina los efectos de la digitalización curricular a partir de un recorte de investigación de maestría realizada en una escuela pública situada en la periferia de Manaus, evidenciando tensiones existentes entre las promesas de las políticas de innovación tecnológica y las realidades materiales, sociales y culturales del territorio. La investigación, desarrollada mediante un enfoque cartográfico inspirado en Deleuze y Guattari, mapeó prácticas, discursos y resistencias docentes en los pliegues del cotidiano escolar. De este modo, se concluye acerca de la urgencia de diseñar currículos sensibles al territorio, atentos a las condiciones concretas y a las potencias creadoras locales, capaces de resistir la homogeneización técnica y de afirmar la multiplicidad de modos de enseñar y aprender.