Este artigo apresenta um panorama da trajetória histórica da universidade no Brasil e examina a Universidade Federal do ABC (UFABC) como um modelo de resistência e inovação pedagógica, concebido no contexto das políticas de expansão e democratização do ensino superior brasileiro. Historicamente elitista e marcada por modelos colonizantes (napoleônicos e humboldtianos), a universidade brasileira tem se mantido, em grande parte, distante das demandas dos grupos sociais mais desfavorecidos, perpetuando a hierarquia de classes e a exclusão social. Em contrapartida, a UFABC, primeira universidade criada no âmbito do projeto de reestruturação pós-neoliberal de Lula e Dilma, propõe uma ruptura de paradigmas ao priorizar a flexibilidade curricular, o respeito às diferenças e a inclusão de estudantes oriundos de escolas públicas. O texto apresentado não contempla uma dimensão empírica, constituindo um recorte de uma dissertação de mestrado, que utiliza a análise histórica e documental para traçar o percurso da educação superior no país e demonstrar em que medida o projeto da UFABC se configura como uma alternativa à colonialidade do saber e ao ranço tradicionalista das universidades no Brasil. Conclui-se que o sucesso da inclusão depende não apenas do acesso à universidade, mas também de uma profunda reavaliação da prática pedagógica e da formação docente, capazes de valorizar a diversidade cultural e o conhecimento trazido pelos novos públicos universitários, garantindo que a excelência e a inclusão caminhem juntas.