Desde 2017, com a revogação da Lei n. 11.161/2005, a Língua Espanhola não compõe mais o currículo da Educação Básica brasileira. Professoras e professores de Espanhol têm encontrado, porém, de forma autônoma, maneiras de ocupar esse espaço. Com base nos estudos de Hall(2006) sobre o conceito de identidades fluidas e em contínuo deslocamento, o presente artigo apresenta uma narrativa autoetnográfica, cujo objetivo é relatar o processo de entender-meuma professora de Espanhol nesse cenário de resistência. A narrativa se refere às experiências da primeira coautora do artigo sob a orientação da segunda coautora. Engajada na luta antirracista e anticolonial, dialogo com as minhas interseccionalidades de raça e de gênero, que tanto influenciam na minha perspectiva sobre o ensino e sobre a professora que eu busco me tornar. Para isso,apresento neste texto a minha experiência de construção de um cursinho popular e gratuito chamado “Espanhol para Todos”, que se tornou um projeto de extensão vinculado ao Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais, em 2021, e que teve como aporte teórico estudiosos da decolonialidade. Ainda na graduação em Letras com habilitação em Língua Portuguesa e Língua Espanhola, encontrei nas abordagens decoloniais um caminho para enfrentar a hegemonia do ensino do Espanhol europeu, ampliando o olhar para a América Latina e promovendo narrativas outras para uma Educação crítica e antirracista por meio da valorização das identidades do Sul.
Since 2017, with the repeal of Law No. 11,161/2005, the Spanish language no longer forms part of the Brazilian Basic Education curriculum. Spanish teachers have found, in a more autonomous way, practices to occupy this space. Based on Hall (2006) for the understanding of fluid identities and in continuous displacement, this work is an autoethnographic narrative, whose aim is to report my process of understanding myself as a Spanish teacher in this scenario of resistance. The narrative refers to the experiences of the first co-author of the article under the guidance of the second co-author. Engaged in the anti-racist and anti-colonial struggle, I dialogue with my intersectionalities of race and gender, which influence my perspective on teaching and the teacher I seek to become. To this end, in this text I present my experience of building a popular and free course called “Espanhol para Todos”, which became an Extension project linked to the Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais, in 2021, and which had as theoretical support scholars of decoloniality. While still graduating in Languages with qualifications in Portuguese and Spanish Language, I found in decolonial approaches a way to confront the hegemony of European Spanish teaching, expanding the perspective to Latin America and promoting other narratives for a critical and anti-racist Education through appreciation of Southern identities.
Desde 2017, con la revocación de la Ley n. 11.161/2005, la Lengua Española ya no hace parte del currículo de la Educación Básica brasileña, las profesoras y los profesores de Español han encontrado, de manera más autónoma, formas de ocupar este espacio. Basando en Hall (2006) para la comprensión de identidades fluidas y en continuo desplazamiento, este trabajo es una narrativa autoetnográfica cuyo objetivo es relatar mi proceso de comprensión de mí misma como profesora de Español en este escenario de resistencia. La narrativa se refiere a las experiencias de la primera coautora del artículo bajo la guía de la segunda coautora. Comprometida en la lucha antirracista y anticolonial, dialogo con mis interseccionalidades de raza y género, que tanto influyen en mi perspectiva sobre la enseñanza y la profesora que busco ser. Para ello, en este texto presento mi experiencia de construcción de un curso popular y gratuito llamado “Español para Todos”, que se convirtió en un proyecto de extensión vinculado al Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais, en 2021, y que tuvo como aporte teórico estudiosos de la decolonialidad. Mientras aún era licencianda en Letras con títulos en Lengua Portuguesa y Lengua Española, encontré en los enfoques decoloniales una manera de enfrentar la hegemonía de la enseñanza del Español europeo, ampliando la perspectiva para América Latina y promoviendo narrativas otras para una Educación crítica y antirracista a través de la valorización de las identidades del Sur.