A educação financeira tem adquirido crescente relevância no debate educacional brasileiro, especialmente após sua incorporação aos Temas Contemporâneos Transversais da Base Nacional Comum Curricular, no interior da macroárea Economia, em diálogo com educação fiscal, trabalho, consumo e cidadania. Este artigo tem como objetivo analisar a importância da educação financeira na Educação Básica, compreendendo-a não apenas como domínio técnico de cálculos, orçamento ou poupança, mas como formação crítica para a vida social, para o consumo consciente e para a ampliação da autonomia dos sujeitos diante das desigualdades econômicas. Parte-se do pressuposto de que o poder aquisitivo não deve ser interpretado de maneira individualista ou meritocrática, mas como uma condição material relacionada à dignidade, ao acesso a bens culturais, à segurança econômica e à participação social. Nesse sentido, a educação financeira escolar precisa superar abordagens reduzidas ao empreendedorismo espontâneo ou à responsabilização individual da pobreza, articulando conhecimentos matemáticos, sociais, históricos, éticos e políticos. A reflexão mobiliza a BNCC, documentos orientadores do Ministério da Educação, estudos sobre educação financeira e contribuições da antropologia do consumo, incluindo Michel Alcoforado, cuja análise sobre a riqueza e os códigos sociais dos endinheirados brasileiros possibilita problematizar as representações sociais do dinheiro, do consumo e da distinção no Brasil contemporâneo. Conclui-se que a educação financeira, quando assumida de forma crítica e interdisciplinar, pode contribuir para a formação de estudantes mais conscientes, capazes de compreender as relações entre renda, consumo, trabalho, desigualdade, planejamento e projeto de vida.